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id da página: 3119 Bazan Natureza da Realidade

Bazan Natureza da Realidade

René Guénon o la Tradición Viviente. Francisco García Bazán & Carlos Velloso & Luis A. Vedoya & Alicia Blaser & Olivia Cattedra, 1985

A realidade, estritamente considerada, é única e sem segundo, ou seja, sem nada que a limite ou reflita. Dessa maneira, ela não se confunde com os modos de ser que a envolvem—os quais são experimentados na existência natural e espiritual. Assim, a realidade sem atenuações é a Possibilidade Universal, e nada além disso.

Essa Possibilidade Universal é atual, sendo a raiz permanente ou princípio inmanifestado de toda outra realidade. Todas as demais realidades, se formos rigorosos, são apenas aparências—não-realidades, reflexos perante a verdadeira realidade. A realidade absoluta é o fundamento imediato dos princípios universais, cuja manifestação resulta no universo que experimentamos, tanto de maneira superficial quanto profunda.

Dentro desse pensamento metafísico, René Guénon utiliza o termo "Não-Ser" para se referir ao Absoluto ou à Unidade. Esse conceito sugere que o Não-Ser está além do Ser, que, por sua vez, se manifesta como sua máscara, irradiação ou primeira reflexão.

Inspirando-se no Vedanta Advaita, Guénon explica que o Não-Ser não é dual, pois transcende qualquer forma de dualidade. Em particular, ele supera a dualidade primordial entre forma (eidos) e substância (ousía), que são os componentes essenciais presentes no nível do Ser e dos princípios cósmicos.

A realidade verdadeira é oculta, não derivada, e absolutamente incapaz de geração ou manifestação—pois é ela que dá origem à existência. Sua pureza indiferenciada e absoluta impede qualquer tipo de distinção, pois qualquer delimitação implicaria uma negação de sua própria natureza, que é livre e serena.

Nas diversas tradições esotéricas, essa realidade sem atributos recebe diferentes nomes, acompanhados de interpretações próprias:

  • Brahman sem qualidades (na metafísica hindu, especialmente nos comentários de Shánkara ao Vedanta);
  • Tao (na tradição chinesa mais profunda);
  • Allahu Ahad ("O Princípio Único", no esoterismo islâmico);
  • O Uno (em Plotino);
  • A divindade acima de Deus (nos escritos do Mestre Eckhart);
  • O Abismo sobre o Silêncio (nos ensinamentos dos gnósticos alexandrinos).

Na plenitude indiferenciada dessa realidade absoluta, todos os símbolos e palavras desaparecem, assim como as definições são anuladas diante da perfeição do conceito puro. Qualquer suporte material ou intuição espiritual se torna insuficiente perante o seu mistério, levando ao que Guénon chama de anonadamento—a dissolução completa diante do Absoluto.

Por isso, as expressões positivas, negativas e as analogias simbólicas usadas para tentar descrevê-la possuem apenas um caráter indicativo, servindo como guias para aqueles que buscam ascender à sua compreensão. No entanto, a identidade essencial dessa realidade é inefável, ou seja, impossível de ser completamente expressa ou definida.